A espiritualidade frequentemente sai pela janela no instante em que entramos em uma discussão, tropeçamos em uma crise ou caímos em depressão.



A escuridão toma conta tão rapidamente que esquecemos de tudo que aprendemos.



É por este motivo que é bom estudar diariamente, ler uma passagem da torah ou algum texto inspirador, decorar uma citação ou assistir uns minutos de uma palestra para nos lembrarmos do que é realmente importante.



Dê a sua mente algo para mastigar, para que ela não mastigue a si mesma.



Yehuda Berg


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Tomar Consciência do Domínio do Criador

Como podemos nos elevar a um nível espiritual no qual tenhamos erradicado por completo o interesse próprio e a preocupação por nós mesmos?
Como nosso desejo de nos dedicarmos, com devoção ao Criador, pode se tornar nossa única meta na vida, tanto que, sem alcançá-las sintamos como se estivéssemos mortos?

A elevação a esse nível ocorre gradualmente, e se processa na forma de retro-alimentação.
Quanto mais esforço fizermos em nossa busca de um caminho espiritual, tanto para estudar quanto para emular os objetos espirituais, mais convencidos estaremos de nossa absoluta inépcia para atingir essa meta por nós mesmos.

Quanto mais estudarmos os textos importantes para nosso desenvolvimento espiritual, mais confuso e desorganizado nos parecerá o material.
Quanto mais nos esforçarmos em melhor tratar nossos instrutores e semelhantes - se estivermos realmente avançando espiritualmente -, mais claro se tornará que todas as nossas ações são ditadas pelo egoísmo.
Tais resultados seguem o princípio: Force-o, até que diga "eu concordo".
Poderemos nos livrar do egoísmo apenas se captarmos que ele causa a morte,
ao impedir que percebamos a verdadeira vida eterna, plena de deleite.

Desenvolver ódio pelo egoísmo eventualmente nos conduzirá a nossa libertação dele.

O mais importante é nosso desejo de nos entregarmos por completo ao Criador, tomarmos consciência de Sua grandeza.
(Entregar-se ao Criador significa separar-se do "Eu".)

A essa altura, devemos decidir qual é a meta que mais vale a pena atingir:
a conquista dos valores transitórios ou dos eternos.
Nada do que criamos permanece para sempre; tudo é transitório.
Somente as estruturas espirituais, tais como os pensamentos, os atos e os sentimentos altruístas são eternos.

Portanto, ao nos esforçarmos em imitar o Criador em seus pensamentos, desejos e esforços, de fato estamos edificando a estrutura de nossa própria eternidade. Porém, dedicarmos-nos ao Criador somente é possível, quando tomamos consciência da Sua grandeza.

Em nosso mundo, é a mesma coisa: se consideramos que alguém é grandioso, sentimo-nos felizes por estar a serviço de tal pessoa.
Podemos, também sentir que quem recebe um presente nosso nos fez um favor aceitá-lo, e não o contrário.

Estes exemplos demonstram que a intenção de uma ação pode mudar a forma externa de um ato mecânico - dar ou receber - para o seu contrário.
Portanto, quanto mais digno de enaltecimento considerarmos o Criador, com maior disposição entregaremos a Ele todos os nossos pensamentos, desejos e esforços. Mas, ao fazê-lo, na realidade sentiremos que estamos recebendo d'Ele, em vez de dar.
Sentiremos que recebemos uma oportunidade para oferecer um serviço, uma oportunidade que é conferida apenas a poucos merecedores em cada geração.

Por: Michael Laitmann

terça-feira, 5 de abril de 2016

Somos totalmente dependentes do Criador

Alunos perguntaram a Rabi Shimon bar Yochai:
- Por que o Criador fez o maná cair do céu diariamente em vez de fazer com que ele chovesse somente uma vez por ano, dando sustento ao povo para um ano inteiro?
- Vou explicar com uma parábola - respondeu Rabi Shimon.

Um rei sustentava seu filho dando a ele uma pensão que o provia por um ano inteiro.
Por isso, o príncipe só vinha visitar o pai uma vez por ano, no dia que o dinheiro acabava.
O pai decidiu mudar de método.
Resolveu dar ao filho somente uma pequena quantia, que cobrisse os gastos de um dia.
Daí em diante, o filho passou a visitar o pai todos os dias.

De forma semelhante, o Criador forneceu comida aos israelitas para um dia só.
O pai da família ficava preocupado: "Pode ser que não caia maná amanhã e meus filhos sintam fome."
Consequentemente, os israelitas direcionavam constantemente seus pensamentos aos céus.
É importante ter essa consciência da maná, de que somos totalmente dependentes do Criador para nosso sustento e para tudo.
A Luz do Criador é a fonte da vida, e precisamos nos agarrar desesperadamente à Árvore da Vida.

Ensinamentos da Cabala por Shmuel Lemle

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Propósito real das nossas vidas


Quase todas as formas de espiritualidade defendem a ideia de que o propósito real das nossas vidas é reforçar nossa conexão com o Criador.
Por que, então, até mesmo aqueles de nós que acreditam que isso seja verdade, investem tanto tempo de suas vidas fazendo tudo, menos aquilo que vieram fazer neste mundo?

A resposta está na seguinte história:
Era uma vez um rei que estava muito doente.
Ele disse que quem conseguisse curá-lo seria agraciado com duas horas dentro do tesouro real, de onde poderia levar todo o ouro, diamantes e rubis que pudesse recolher.
Logo depois, um dos conselheiros do rei o curou e obteve acesso ao tesouro.
Após ser curado, o rei se preocupou em ceder tanta riqueza do seu tesouro.
Então, esquematizou um plano para distrair o conselheiro.
O rei sabia que esse conselheiro em particular tinha uma grande paixão por música, e assim contratou cem dos melhores músicos para tocarem as canções mais belas dentro do tesouro, enquanto ele juntasse sua fortuna durante as duas horas.

Toda vez que o conselheiro começava a recolher as joias, a música se tornava mais alta e o distraía.
Às vezes, um novo instrumento era adicionado e ele se via compelido a largar tudo e ir assistir, encantado.
Depois de algum tempo, ele se deu conta de que suas sacolas estavam vazias e que era melhor começar a recolher o tesouro.
Mas aí já era tarde demais.
Seu tempo havia se esgotado.

Somos como o conselheiro: nos distraímos.
Quando começamos a focar no verdadeiro propósito das nossas vidas, o Oponente, ou Lado Negativo, sempre desvia nossa atenção.
Uma boa forma de derrotar essa voz é não lhe dar espaço, para começo de conversa.
Quando ocupamos nossos pensamentos e nossa agenda com nosso trabalho espiritual, compartilhando, estando com os outros, nos conectando com a Luz – não há espaço para distrações!

Viver um caminho espiritual é difícil quando nossas conexões são intermitentes.
A Luz é consistente, e quando somos consistentes na nossa espiritualidade, atraímos a Luz para as nossas vidas de forma consistente também.

Haverá sempre uma razão para não estudar, não compartilhar, não se comprometer – porque essa é a forma do Oponente atuar!

Até um dia, em que é tarde demais para receber todos os tesouros que a Luz tem a intenção de nos dar.

Quando paramos de dar desculpas e realmente nos comprometemos com o caminho da mudança, começamos a viver o propósito da nossa vida.

Por: Yehuda Berg

domingo, 3 de abril de 2016

Dignidade Humana

Existe uma história do Rabino Yisrael Ben Eliezer, um sábio do século XVIII, que certa vez estava viajando por uma cidade onde foi apresentado a um homem muito rico.
O homem convidou o grande sábio a se hospedar em sua casa durante sua visita.
Ao chegar na casa do homem, o Rabino Yisrael ficou surpreso ao ver que o homem vivia de forma muito modesta.
Em nenhum lugar da casa ficava evidente que ele tinha grande riqueza.
Até as refeições que fazia consistiam de pouco mais que pão e água.
O Rabino Yisrael ficou hospedado por alguns dias, mas uma certa manhã começou a falar severamente com o homem.
“Quem você pensa que é? Onde está a sua riqueza? Por que você vive assim? Por que come pedras? Para que você acha que D’us lhe deu toda essa riqueza?”
Ao que o homem respondeu, confuso:
“Bem, tento viver modestamente. Não quero que meu ego…”
“Ego? De que ego você está falando,” interrompeu o Rabino.

Retornando em sua cidade e às suas aulas, o Rabino Yisrael narrou o acontecido aos seus alunos e um deles perguntou:
“Por que você fez isto Rabi? O homem tentou argumentar que estava se esforçando para diminuir seu ego, que estava se esforçando para se aprimorar.”
O Rabino respondeu:
“Se ele come pão duro e água, o que você acha que ele dará para os necessitados comerem? Dará paus e pedras. Se é assim que ele trata a si mesmo, como tratará os outros! Se tem meios para isto, ele precisa tratar a si mesmo bem. Afinal, a maneira como tratamos a nós mesmos será a maneira com trataremos os outros".
Por isso, seja gentil consigo mesmo. E todas as dádivas você recebeu do Criador são também para compartilhar com os outros.

Se queremos aprender a tratar todos com quem lidamos com um mínimo de dignidade humana, precisamos começar tratando a nós mesmos com dignidade e respeito.
D’us nos capacitou a termos respeito próprio para sabermos que temos valor e merecemos ser tratados com dignidade.
O respeito próprio conduz à autoestima positiva que vai influenciar em nossa vida de maneira benéfica.
A autoestima é a confiança e o respeito por si mesmo.
Ela consiste em confiar nas próprias habilidades e capacidades para solucionar as situações que surgem na vida.
Significa considerar-nos como filho de D’us, com direito a nos expressarmos com valor e defender nossos interesses e necessidades, e pensarmos que somos uma pessoa respeitável e com direito a ser feliz e também de levar felicidade aos que estão ao nosso redor.  

Por: Yehuda Berg

sábado, 2 de abril de 2016

Clareie a Mente

Nós somos o que pensamos.
Nossas ideias ditam nossa realidade.
Se alguém pensa que há pessoas tentando pegar ela, não importa se for verdade ou não, ele vai ter medo.
Ou se uma criança inteligente pega a ideia de que ela é burra isso vai virar realidade.
Pureza intelectual significa escolher suas ideias.
Distinguir quais delas são verdade e quais são falsas; quais fazem sentido e quais são tolas.
Aí, clareie sua mente; filtre o “lixo” para que não se misture no seu cérebro.
Entre em contato com a sua mente.
O que você está pensando?
Quando você proferir uma afirmação, pergunte-se, “Eu realmente penso isso?”
Uma ideia falsa repetida o suficiente se tornará sua realidade – mesmo que a primeira vista, você não acredite.
Passe pelo processo de clarificação de ideias.
Por exemplo, todos concordam que é errado machucar os outros.
Mas é verdade que nós não devemos nunca machucar alguém, em qualquer momento?
“Bom, nunca machuque alguém sem uma boa razão”.
O que queremos dizer com “não machucar alguém sem uma boa razão”?
Se ele machucou você primeiro, é a vingança uma boa razão?
Você vê a confusão?
Clarifique isso.
Outro exemplo:
Todos queremos ser boas pessoas.
Você quer ser bom.
Então, qual é a definição de “bom”?
Bin Laden pensava que ele estava fazendo o “bem”, livrando o mundo do imperialismo ocidental.
Você tem que ter claridade, para saber o que você sabe.
Faça uma lista de 100 coisas das quais você está convencido.
“Meus pais me amam. Eu tenho 10 dedos. A Terra é redonda.”
Não ponha essas coisas na mesma cesta com ideias que não estão claras, porque você vai contaminar a cesta inteira.
Escreva tudo isso e classifique-as.
Pergunte-se: “Como eu sei que meus pais me amam? Porque eu tenho evidencias da maneira que eles me tratam”.
Você pega a ideia.
Finalmente, interaja com as ideias como se elas fossem reais.
Uma vez que você decidir que uma certa ideia é correta, traduza para uma ideia concreta.
Por exemplo, tome o sentimento: “Eu não quero desperdiçar tempo”, e torne-o na ideia: “A vida é preciosa”.
O próximo passo é tomar da sua mente e botar elas em ação.
Para não ignorá-la e continuar vivendo uma vida conflituada.

Por: Noach Weinberg 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Quem puxou o gatilho?

“Calma, você vai terminar ficando doente de tanta preocupação”.

Todos nós já temos escutado algo assim em algum momento em nossas vidas. Expressões como estas ressaltam a conexão entre o estado de sua mente e o estado do seu corpo.

O Zohar fala diretamente desta conexão.
Diz que nossas emoções negativas – a ira, a raiva, o egoísmo e todos os impulsos reativos – se manifestam como enfermidades em nossos corpos.
Dá medo, não é?
Posso escutar você pensando:
“E o que acontece com os estudos que vinculam a enfermidade com a comida, o meio ambiente e o DNA?”
O Zohar diz que essas são as meras armas utilizadas pelas forças negativas para infligir julgamento sobre nós; julgamento que geramos através de nossas ações de egoísmo e intolerância.
Mas, quem puxou o gatilho para ativar a enfermidade e permitir que estes alimentos ou os genes nos danem?
Nós mesmos.
Em outras palavras, O Zohar pergunta:
Por que uma alma escolheu um corpo com um DNA especifico e uma predisposição a uma enfermidade em primeiro lugar?
E por que alguns destes genes que causam enfermidade se ativam e algumas vezes permanecem latentes?
Por que uma pessoa que fuma quatro maços de cigarro tem um ataque de coração na idade de 50 anos e outra pessoa que fuma quatro maços de cigarro ao dia vive até 110 anos?
A resposta do Zohar é algo parecido com isso: imagine um assaltante desconhecido que dispara em alguém num beco escuro e o mata.
O que diria o boletim de ocorrência se só descrevesse como funcionava o revólver e como a pressão do ar moveu a bala através do cano do revólver?
Uma informação bastante inútil, não?
Enquanto isso, na semana seguinte o assassino atacava de novo, disparando e matando outra pessoa.
Desta vez obtemos outro boletim de ocorrência que explica como funciona a pólvora.
O que importa saber como funciona o revólver?
A arma não pode matar por si só.
Queremos saber: quem puxou o gatilho?
É por isso que todas as informações médicas sem fim que lemos a cada dia somente tratam sobre a ponta do iceberg, seja o nosso DNA ou a deliciosa dieta de almôndegas e batata fritas.
O Zohar nos ensina que quando nos comportamos com egocentrismo, estamos ativando estas armas.
Entretanto, quando resistimos aos nossos impulsos egocêntricos e reativos, os desativamos.
Tenha tudo isso sempre em mente cada vez que interaja com alguém em sua vida, amigo ou desconhecido, inimigo ou membro da família.
Você deve saber que seu comportamento e a saúde são um e o mesmo.

Yehuda Berg

quinta-feira, 31 de março de 2016

O Poder da Oração

Pergunta de um aluno para Michael Berg:
Um dos membros de minha família sofreu um acidente em seu trabalho e teve que passar por diversas cirurgias da coluna. Ele está parcialmente paralisado e não foi afetado apenas fisicamente, mas mentalmente também. Ele está deprimido e toda noite ele tem tomado várias pílulas para dormir, pílulas para dor e relaxantes musculares. Eu queria que o resultado disto fosse que ele recebesse ajuda, e não que ele ficasse chateado. Você tem algum conselho de como abordar esta situação?
Resposta (de Michael Berg):
Sabemos que a oração tem o poder de alterar situações negativas. Por exemplo, se uma pessoa esta doente, através do poder da oração ela pode ser curada. A questão é, como orar?
Agora, antes de responder a esta pergunta, é essencial que possamos entender que oração é um tema que exige grande discussão. Obviamente, existem muitas regras que se aplicam a este conceito. Por exemplo, sabemos que a oração nem sempre garante que o resultado desejado ocorra, e isto acontece devido a uma série de razões.
Ao saber disto, podemos ganhar um grande insight ao recorrer às palavras do grande cabalista do século 18, Rav Elimelech de Lizensk. Ele escreve,
“Quando um tzadik [a parte justa que existe dentro de cada um de nós] reza por outra pessoa, ele inclui e investe todo o seu ser em suas orações, todos os seus 248 limbos, pensando em nada mais do que o desejo de ajudar a outra pessoa necessitada. Ele laça a pessoa para a qual ele está rezando aos seus próprios 248 limbos, e assim ele a torna santa, e então, ele recebe respostas para suas orações.
Pois, porque que uma pessoa fica necessitada? Certamente, é porque ela fez alguma ação negativa com um de seus 248 limbos. E quando um tzadik abraça a pessoa para si mesmo, os limbos da outra pessoa se tornam únicos com o limbo do tzadik. Através disto ela é curada e corrigida da negatividade que ela trouxe para cima de si mesmo. E como sua ação negativa é corrigida, o processo de purificação que ela traz para cima de si mesmo é eliminado.”
Rav Elimelech nos dá um belo entendimento do poder da oração para outras pessoas. Ele explica que quando uma pessoa reza por outra pessoa, ela tem que ter em mente que é preciso abraçar espiritualmente a pessoa necessitada, tornando-a única consigo mesmo. Ao fazer isto, ele muda a outra pessoa e faz com que ela fique tão completa quanto ele.
Entendemos agora a profundidade e intensidade que os pensamentos de uma pessoa têm que estar quando ela ora por outra pessoa. Pois se ela esta simplesmente falando a oração, não tem muita possibilidade que a oração seja respondida. Apenas quando ela inclui todo o seu corpo, toda sua alma e essência em suas orações é que ele será capaz de atingir o que foi explicado acima. Pois quando oramos por outras pessoas, estamos na verdade abraçando elas e doando nossa completude.
Que maneira bela de entender a oração!
Agora temos o verdadeiro insight do poder da oração. Espero que depois que tenhamos entendido esta lição, nós iremos investir mais de nossos seres nas orações que fazemos para outras pessoas. Pois, como foi explicado acima, para verdadeiramente influenciar mudanças positivas em outras pessoas, precisamos investir o nosso ser inteiro na oração, abraçando-as completamente e curando-as.

Michael Berg (Amir Michael Rehan)