A espiritualidade frequentemente sai pela janela no instante em que entramos em uma discussão, tropeçamos em uma crise ou caímos em depressão.



A escuridão toma conta tão rapidamente que esquecemos de tudo que aprendemos.



É por este motivo que é bom estudar diariamente, ler uma passagem da torah ou algum texto inspirador, decorar uma citação ou assistir uns minutos de uma palestra para nos lembrarmos do que é realmente importante.



Dê a sua mente algo para mastigar, para que ela não mastigue a si mesma.



Yehuda Berg


Michael Berg

(001) Caminho Espiritual - Julgamento (Do livro - "O Caminho" de Michael Berg)
"A Cabala pede que julguemos a nós mesmos e às nossas motivações com grande cuidado. 
Um dos obstáculos em nosso caminho espiritual, no entanto, é a tendência de julgarmos os outros. 
Isto é especialmente verdadeiro no começo da jornada: aprendemos um pouco a respeito de leis espirituais, e logo acreditamos saber exatamente tudo que há de errado com todas as outras pessoas. 
E o que é ainda pior, podemos cometer o erro de lhes dizer!
O foco do nosso julgamento deve estar sempre em nós mesmos, nunca nos outros. Não importando nosso nível de desenvolvimento espiritual, nossa compreensão das leis espirituais e de seus efeitos no mundo é limitada.
Pensar que sabemos como funciona tudo no mundo espiritual é uma indicação segura de que na verdade sabemos bem pouco. Ter plena consciência de nossas próprias intenções e motivações já é bastante difícil; sendo assim, como podemos proferir julgamento sobre a vida de outra pessoa?
Além disso, os fundamentos espirituais para os problemas de uma pessoa são complicados, e, muitas vezes, obscuros.
Se aceitamos que nossa compreensão do mundo espiritual é limitada, é tolice imaginar que temos suficiente capacidade de ver através das complexidades do universo espiritual para penetrar nos mistérios do destino das outras pessoas. Imagine que um amigo próximo foi repentinamente acometido por uma doença grave.
Ele está evidentemente sofrendo — e de acordo com a Cabala, nós somos, em última instância, responsáveis por nossa própria dor.
Devemos dizer ao amigo que ele mesmo é responsável pelo seu infortúnio?
No nível espiritual, isto pode ser verdadeiro — mas a pergunta mais real é: que benefício traz este julgamento?
Como, em meio ao seu sofrimento, o beneficiará ouvir dizer que ele é o responsável?
Proferir julgamento sobre as causas espirituais das desgraças dos outros não aproxima nem a eles nem a nós da transformação.
Antes, nossa primeira responsabilidade não deve ser julgar, mas prestar assistência.
Uma pessoa que sente dor precisa de alívio, não de reflexão moral.
Um homem desabrigado precisa de abrigo, não de filosofia, por melhor que seja.
A menos que estejamos certos de que nosso julgamento ajudará a outra pessoa no sentido da transformação, o melhor é não falar nada, e assumir alguma ação positiva para aliviar o sofrimento imediato.
Com freqüência, o simples ato de ouvir sem julgar é a maior ajuda que podemos dar.
Todo o propósito da espiritualidade é tornar-se mais consciente das necessidades dos outros, mais solidário e mais caridoso.
Sendo assim, tome cuidado com o caminho que o leva na outra direção — na direção de julgar os outros severamente.
Este não é um verdadeiro caminho espiritual"


(002) "Concentre-se apenas no que importa. Caso contrário, mesmo que uma pessoa viva mil anos, no fim, vai sentir que existiu apenas por um dia."

(003) "O que nós queremos receber a partir desta semana é a ajuda para apreciar a escuridão, os momentos em que caímos e quando estamos 'por baixo'. Quando vivemos estes momentos – e percebemos que é a partir dessas situações obscuras que vamos revelar mais Luz – então estamos preparados para a correção final." 

(004) "A Cabala ensina que quando um único ser humano escolhe a direção positiva, o mundo como um todo também se inclina para mais perto da Luz. 
Num nível bastante prático, nossas ações positivas permitem que outras pessoas ajam de uma maneira que não teria sido possível se não tivéssemos agido. 
E, da mesma forma, quando pendemos para o lado negativo, do egoísmo e do interesse próprio, o mundo pende para a negatividade.
Assim sendo, cada um de nós está intimamente envolvido com os destinos de todos.
Nossas ações positivas e negativas, por menores que sejam, influenciam o estado espiritual do mundo.

Além de transformar a nós mesmos, a Cabala ensina que também somos responsáveis pela transformação espiritual do mundo.
Enquanto um único de nós não atingiu a meta, nenhum de nós a atingiu.
Estamos todos no mesmo barco.
Se uma pessoa se deixa afundar, nós todos afundamos.

Desta compreensão nasce um vislumbre muito específico de como podemos viver melhor nossas vidas: Pelo menos metade do que fazemos no mundo deve ser direcionado para ajudar os outros.
Este trabalho sobremodo importante pode assumir diversas formas, mas a Cabala ensina explicitamente que a ação prática é pelo menos tão valiosa quanto a devoção ou observação religiosa
Alimentar uma pessoa faminta pode provocar tanta mudança quanto a oração ou meditação.
Explicando de maneira simples, a Cabala requer que pratiquemos ações reais no mundo real.
Contudo, de uma perspectiva cabalística, isto envolve mais do que simplesmente sair correndo e praticar "boas ações".
O compartilhar verdadeiro exige uma mudança básica na forma como vemos nossas vidas e nossos relacionamentos com as pessoas à nossa volta.

De um ponto de vista cabalístico, é vantajoso pensar na vida como um tipo de enigma — um quebra-cabeça ou palavras cruzadas — em vez de vê-la como uma narrativa linear.
Estamos acostumados a ver as narrativas terminarem quando o personagem principal (que é você!) alcança uma resolução.
Mas suponha que perguntássemos o que aconteceu com todos os outros personagens: o motorista de táxi do capítulo 1, o piloto de avião do capítulo 4, a garotinha que colheu a flor na última página do livro?
A Cabala nos diz que a "narrativa" não termina até que todas as pessoas sejam tomadas em consideração — isto é, até todo mundo ter atingido a transformação espiritual.
A metáfora da vida como uma narrativa torna isto difícil de compreender.
As narrativas precisam, por necessidade, estabelecer distinções de importância entre seus personagens.
Nós podemos — na verdade devemos — aceitar a idéia de que uma história terminou assim que os principais participantes cumpriram seus objetivos.
Um quebra-cabeça, por outro lado, obviamente não está completo até todas as peças estarem no lugar.
Além disso, dar atenção a uma parte do quebra-cabeça não implica não prestar atenção às outras partes: a coisa toda deve ser levada em consideração, ou nenhuma fração dela será bem-sucedida.
Um incidente na Bíblia ilumina este ponto.
No capítulo 37 do Gênesis, Jacob manda seu filho José, de dezessete anos, viajar para o vale de Hebron para ver como estão teus irmãos, e “como estão passando os rebanhos".
Mas quando José chega ao destino, não encontra os irmãos.
Justo nesse momento vem passando um homem.
A Bíblia nem sequer lhe dá um nome, mas de certa forma toda a narrativa depende dele. Ele é uma pequena peça do quebra-cabeça, sem a qual seria impossível completá-lo. "O que você está procurando?" o homem sem nome pergunta, e quando José responde que está procurando seus irmãos, ele diz: "Eles partiram, e eu os ouvi dizer, 'vamos para Dothan."
A seguir o homem sem nome desaparece, sumindo na categoria dos grandes personagens não celebrados da literatura.
Ele também ascende de volta para os Mundos Superiores, porque a Cabala ensina que na verdade se tratava do anjo Gabriel.
Como um ser humano individual, você tem uma natureza dual: você está juntando as peças do quebra-cabeça, mas ao mesmo tempo você é uma das peças.
Você deve promover a conclusão do quebra-cabeça, encontrando simultaneamente seu próprio lugar e o lugar para os outros fragmentos.
Não importa a demora, não importa quantos erros ou frustrações você encontre até terminar o trabalho — na verdade, os reveses apenas tornarão a conclusão mais prazerosa.
Mas você precisa aprender a ver a união de seus próprios interesses com os interesses de todos ao seu redor. "

( O Caminho - de Michael Berg)

(005) "Quem se afunda num problema, acaba atraindo mais problema. Ao invés disso, abra espaço para focar no aspecto positivo da questão e poderá transformá-lo."

(006) "Nossas palavras e pensamentos nos conectam. Ou com a Luz do Criador, permitindo que as bênçãos e alegrias fluam em nossas vidas, ou com o Lado Negativo, despertando a escuridão e o vazio em nossas vidas."

(007) "Quando assumimos a responsabilidade por tudo o que nos cerca, estimulamos o nosso desejo de despertar a mudança. Mas se ficarmos enclausurados em nosso próprio mundo, torna-se impossível crescer espiritualmente."

(008) "Na época do grande cabalista Rav Isaac Luria, viveu um eminente sábio e estudioso chamado Rav Yosef Karo. 
Certa vez, depois de semanas de meditação em cima de um trecho difícil da Bíblia, Rav Karo descobriu seu significado mais profundo. 
Deliciado, ele apresentou a questão para um aluno, esperando que este iria apreciar a explicação do mestre. 
Para sua surpresa, o aluno imediatamente enxergou 
a resposta.
Rav Karo não conseguia acreditar que o que lhe tinha tomado semanas de estudo intenso para descobrir, tinha custado ao aluno uns poucos minutos.
Desanimado, começou a se questionar.
Talvez o seu prestígio fosse excessivo.
Talvez ele devesse desistir de ensinar.
Caminhava sem rumo pelas ruas e encontrou o eminente Rav Luria, que lhe perguntou por que estava tão abatido.
Depois de ouvir pacientemente, Luria falou:
- Havia um vilarejo cuja água vinha de uma fonte no alto de uma montanha.
Poucos aldeãos tinham forças para caminhar até o topo, por isso era tarefa de um homem buscar água para todo o vilarejo. Ele levava muitas horas enchendo baldes enormes. Quando terminava, todos vinham e enchiam seus pequenos copos a partir desses baldes, o que, obviamente, só levava alguns minutos.
Mesmo para o mais fraco deles aquilo não era problema.
O que estou dizendo é que suas semanas de trabalho abriram um canal de entendimento.
Uma vez aberto o canal, ficou simples para seu aluno entender também.

O que pensamos e o que fazemos entra na consciência global e a modifica.
De acordo com o Rav Ashlag, toda vez que alguma pessoa remove algum fragmento do Desejo de Receber Somente para Si Mesmo, o aumento de consciência é acrescentado para a alma global.
Cada vez que um de nós revela mais de sua natureza divina, isso influencia o Ser coletivo.
A Medida que você se torna como Deus, se torna mais fácil para outra pessoa se tornar como Deus. "
Do livro: Tornar-se como Deus de Michael Berg

(009) "Toda vez que você se conectar com o Zohar, cada vez que fizer um ato de compartilhar, lembre-se de que você não está fazendo isso só para si mesmo. Você está despertando uma Luz para aquele dia, e, com isso, elevando o mundo inteiro a um patamar mais alto."



(010) "Sem realizar ações nesse mundo – tanto para nós mesmos quanto para ajudar os outros – nenhuma introspecção, meditação, oração ou estudo irá trazer transformação espiritual. Sem ações físicas, mesmo a pessoa mais espiritual será como um carro novo sem motor: parece ótimo, mas não consegue ir a lugar nenhum." Michael Berg, O Caminho

(011) Os kabalistas ensinam que a consciência mais importante que devemos ter é a consciência da certeza. Eles deixam claro que, não importam as ações que realizemos, se não formos capazes de desenvolver nossa certeza na Luz do Criador, não seremos capazes de atrair continuamente cada vez mais bênçãos para nossas vidas. 

Certeza é um conceito relativamente simples de se abordar.

Certeza significa ter conhecimento de que absolutamente tudo que ocorre em nossas vidas – desde as mínimas coisas até as maiores – vem da Luz do Criador e, no final das contas, acontecem em nosso beneficio. Mesmo em situações que parecem caóticas e que não desejamos que aconteçam, certeza é ter o entendimento de que absolutamente tudo vem da Luz do Criador e portanto é para o nosso bem maior.

Por que certeza é tão importante? Os kabalistas explicam que para cada bênção, para cada nível de Luz que desejamos atrair para nossas vidas, tem que existir o que se chama recipiente, um lugar para o qual você possa atrair Luz. E eles dizem que o maior recipiente é a certeza, porque quando uma pessoa possui certeza, ela está completamente unida e ligada à Luz do Criador; assim, a Luz pode fluir mais rápida e facilmente para aquela pessoa.

Por outro lado, os kabalistas ensinam que quando a vida e a consciência de uma pessoa estão cheias de dúvidas e preocupações, então aquelas dúvidas ou preocupações literalmente quebram o laço e a conexão que o indivíduo possui com a Luz do Criador. E como tal, mesmo que existam bênçãos destinadas a se manifestarem na vida dessa pessoa, o despertar da dúvida e da incerteza separa a pessoa tanto da Luz do Criador quanto das bênçãos que estavam destinadas a se manifestarem em sua vida.

Esse é um entendimento fantástico: cada um de nós tem muito mais bênçãos que foram preparadas e estão prontas para se manifestarem do que realmente recebemos. Mas na verdade, porque ainda vivemos com algum nível de dúvida, incerteza e preocupação, impedimos a Luz do Criador de manifestar essas bênçãos em nossas vidas.

O que fazer então? A resposta é muito simples : você tem que praticar a certeza, do menor até o maior grau. Você pode estar dirigindo de volta para casa e alguém lhe cortar. Sua inclinação natural será dizer: Isso é só um pouco de caos no meu dia, sem motivo, e vou me aborrecer. Ou outra forma de encarar seria: Isso está vindo da Luz do Criador , tem alguma coisa aqui em meu benefício e aceito desta forma. Não vou ficar aborrecido. Na verdade, vou ficar feliz.

Somente se uma pessoa pratica certeza consistentemente, de um caso para outro, é que a certeza verdadeira se constrói. Todo dia, existem pelo menos dez ou quinze momentos em que podemos escolher – vamos ficar preocupados e cheios de dúvidas ou aquilo está vindo da Luz do Criador? Acabei de saber que alguém falou mal de mim. Acho que alguém está pensando mal de mim. Será que isso é simplesmente caos? Ou será que você pode saber sem dúvida que isso é em seu benefício, para aceitar e aproveitar?

Somente se estivermos desenvolvendo essa consciência, praticando-a momento após momento, dia após dia, teremos a capacidade de desenvolver nossa certeza na Luz do Criador. E ao desenvolver essa certeza na Luz do Criador, desenvolvemos nossa capacidade de receber e manifestar as grandes bênçãos que essa Luz deseja e se preparou para manifestar em nossas vidas.

Assim, os kabalistas ensinam que uma das práticas espirituais mais importantes é a da certeza. De dez oportunidades que temos, em qualquer dia, de escolher se alguma coisa está acontecendo conosco de forma caótica ou se está vindo da Luz do Criador, temos que escolher ter a consciência de certeza ao invés de caos, dia após dia, a cada instante.

Somente – e tão somente – se estivermos praticando e desenvolvendo nossa certeza, poderemos estar seguros de que as bênçãos finais que desejamos se manifestarão rápida e completamente em nossas vidas.


Michael Berg